Artigos sobre: Malcolm Lowry
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Demorei cerca de três meses a ler as 350 páginas de Debaixo do Vulcão. Quem se achar aliciado pela ideia de ter nas mãos uma verdadeira obra-prima da literatura do século XX e acreditar por isso que vai embarcar numa leitura puramente apaixonante e prazenteira, desengane-se: Debaixo do Vulcão é um livro denso, duro, um osso difícil de roer – diria mesmo que resiste a ser roído – mas cujas compensações, se bem sucedido o esforço, são incomparáveis. Não se trata efectivamente de uma leitura fácil – quer no que diz respeito à forma, quer ao tom, quer ao conteúdo. Exige algum espírito de sacrifício, alguma luta interior, resistência para sobreviver-lhe.
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Malcolm Lowry pertence a uma certa estirpe de escritores em cuja nacionalidade nunca se pode confiar demasiado: apesar da inegável raiz inglesa, o que sobressai é um cosmopolitismo precoce, que tem início com a decisão de embarcar numa longa viagem de navio ainda na adolescência, em que o jovem autor, inspirado pela leitura de Herman Melville, vive durante meses como um verdadeiro homem do mar.

