Em Londres, o novíssimo poema longo de Nuno Dempster, desfila a humanidade imperfeita e a aventura de viver nessa imperfeição; libertam-se vozes, intelectualiza-se a emoção, redimem-se ruínas e mostra-se que «num pint de cerveja» e num poema «pode conter-se o universo».
Leia o texto »Publicado em 1907, Os Irmãos Tanner é o segundo romance do suíço Robert Walser (1878-1956) e utiliza uma base que se repete em outras obras do autor: a personagem errante que torna a obra errante. O romance que não é romance, mas antes uma longa caminhada em que vão surgindo espaçadamente novos episódios, novos cenários, novas personagens. É uma obra que vai caminhando devagar, à imagem do que gostava de fazer o seu autor, que viria a falecer precisamente num desses passeios, no dia de Natal de 1956.
O Viajante sem Sono, de José Tolentino Mendonça, lembra-nos que o nome de Deus é indizível – «Deus não aparece no poema / apenas escutamos a sua voz de cinza / e assistimos sem compreender / a escuras perícias» (p. 7) –, mas não o faz fechando-se à tentativa de o rodear, de buscar, sílaba a sílaba, uma enunciação que seja a possibilidade de segredá-lo – «Só há um modo verdadeiro de rezar: / estende o teu corpo ao longo do barco / que desce silencioso o canal» (p. 7).
N’O Livro dos Guerrilheiros, o autor descreve a geografia da região, localiza o espaço onde decorre a narrativa, descrevendo uma paisagem humanizada e animizada, na qual todos os elementos parecem ser dotados de alma e pensamento tal como os humanos, aproximando muito a sua escrita da de Joseph Conrad e, particularmente, da obra O Coração das Trevas.